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:: Sexta-feira, Julho 15, 2005 ::

A Radicalização de Clichês em "As Confissões de Henry Fool"
Por Hugo Montarroyos

A indústria cinematográfica vem tomando caminhos cada vez mais ambiciosos. Pelo menos no que concerne às produções que têm como principal proposta abranger o mercado de todos os continentes, tomando de assalto bilheterias dos quatro cantos do planeta e investindo pesado em marketing na divulgação de seus filmes.

São os chamados blockbusters; filmes estrelados por atores de cachês milionários e de forte apelo comercial junto ao público. Não são poucos os exemplos de tal seara, e, na maioria das vezes, o retorno de investimento em bilheteria é quase garantido. Isso para não falar em lucros absolutamente "obscenos". É o chamado "cinema de entretenimento", que, como o próprio nome indica, tem pouca preocupação de cunho artístico e visa abocanhar a maior fatia do mercado possível.

Mas há quem navegue na contramão desta tendência mercadológica, preocupando-se mais em cativar um público pequeno e fiel do que se render às artimanhas do mercado. Talvez seja esse o caso do diretor Hal Hartley e seu "As Confissões de Henry Fool" (EUA, 1997). Hartley nos propõe um outro tipo de cinema, algo cada vez mais raro na indústria cinematográfica vigente. Talvez justamente por não fazer parte do primeiro escalão de Hollywood, o diretor se permite ousar em diversos aspectos.

Para começar, ele lança mão de um artifício pouco comum; utiliza sempre o mesmo elenco, em todas as suas produções. Isso acaba dando um charme especial à sua obra, pois cria-se uma cumplicidade entre diretor e elenco rara de se ver em outras cinematografias. Sem falar na desconstrução de clichês já fortemente utilizados pelo cinema. Não à toa, há quem considere a obra de Hal Hartley uma radicalização de experiências anteriores.

Tomemos como exemplo "As Confissões de Henry Fool". Trata-se basicamente de um filme sobre o ato de escrever. Mais; a descoberta da escrita se dá aqui por dois personagens que, à primeira vista, não teriam quaisquer condições para realizar tal ato; um ex-zelador e ex-presidiário que cumpriu pena por molestar uma menina de treze anos, e um lixeiro que é considerado deficiente mental por seus familiares. É a partir do encontro desses dois personagens que teremos um filme que se pauta pela descoberta do ato de escrever e do amor pela escrita. Mais do que isso; é um filme sobre as transformações pessoais que envolvem todos os personagens através do descobrimento do poder e da fascinação da literatura. E tal processo é filmado de maneira avassaladora e envolvente por Hal Hartley. Carregando propositadamente nas tintas em algumas cenas, o diretor consegue um feito raro; filma cenas chocantes que não parecem ter a necessidade de chocar apenas por chocar. Ao contrário; olhando como um todo, tais cenas parecem se encaixar perfeitamente no contexto do filme. Há passagens que beiram o bizarro, mas, ao mesmo tempo, evocam uma espécie de poética do grotesco, do absurdo, daquilo que não é usual. Sua câmera é nervosa, e retrata assim o nervosismo e histrionismo dos personagens com absoluta perfeição. O roteiro, embora pareça perfeitamente convencional, é filmado de uma forma que consegue romper as convenções do melodrama. Conta a história de um certo Henry Fool, sujeito que chega à uma pacata região dos Estados Unidos e muda a trajetória de seus habitantes. Mas a maneira como se dá tal processo está longe do usual, do lugar-comum. As transformações são de forte impacto, e Hal Hartley se mostra um mestre na arte de conduzir o espectador rumo à descentralização das convenções, rumo ao inesperado. Vejamos a galeria de personagens que desfila em "As Confissões de Henry Fool": temos um forasteiro com pretensões literárias que se hospeda no quarto da casa de um lixeiro que tem uma mãe depressiva e uma irmã ninfomaníaca. Há também um dono de loja de conveniência de origem oriental que tem uma filha muda, um punk vagabundo que decide fazer campanha para um candidato conservador, um padre liberal e personagens secundários que se revelam importantes no decorrer da trama.

Hartley conduz o roteiro de maneira que transita entre o convencional e o inusitado, entre as estruturas clássicas de uma história e o desvirtuamento de tais estruturas a partir da forma em que resolve narrar sua história. Seu método é o do rompimento de paradigmas, e isto fica claro no decorrer do filme. Seu olhar abrange uma proposta de enxergar o "estabelecido" de maneira nova. Tudo parece over, mas, na verdade, se encaixa perfeitamente ao que o autor se propõe.

Temos, assim, um diretor com pretensões de uma nova linguagem cinematográfica. Há quem o acuse de ser deveras pretensioso, de não passar de um pós-moderno metido à Godard. Pode até ser verdade. Mas, convenhamos, numa indústria onde arrisca-se cada vez menos, onde o mercado move as regras e o lugar-comum e os clichês costumam imperar, é mais do que salutar a presença de um diretor comprometido com o risco, com a ousadia e com a tentativa de inovação. E "As Confissões de Henry Fool" é exatamente isso; um filme que impressiona pela sua capacidade de brincar e radicalizar com todos os clichês estabelecidos. Não é pouca coisa.

:: B.V.A.S.C. 17:05 [+] ::
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:: Domingo, Janeiro 23, 2005 ::
DEZ DISCOS QUE EU LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA...

Por Ariana Couto @

10 cds que eu levaria pra uma ilha deserta... Eu não tenho muito a comentar sobre os cds, daí só coloquei uns comentariozinhos para não ficar sem nada...

* Turn on the bright lights do Interpol - eu adoro esse cd, e não consigo enjoar dele.

* Antics do Interpol - Também!! Muito bom!

* Free de Cat Power - Acho que levaria todos... mas esse ultimo consegue não ter nenhuma faixa ruim...

* Panopticon Do ISIS - no meio de tanta coisa lentinha e pra morrer, tem que ter algo mais pesadinho... e isso aqui é muito bem feito!

* Franz Ferdinand do próprio - Tá é hype, mas eu gosto e MUITO!

* Funeral do Arcade Fire - Escutem e vejam como é delicioso.

* Faking the books do Lali Puna - Pra quando eu me sentir muito só e precisar de um incentivo pra me matar...

* The Slow Wonder do A.C. Newman - Ah, sem comentários!

* Dios do Dios - É lindo!

* Blueberry boat do The Fiery Furnaces - Coisa que tô ouvindo agora, é bom sempre ouvir coisas novas pra mudar! Mesmo numa ilha!

Claro que se pudesse levava mais... só que não levaria nenhum clássico pq eu ia enjoar, tenho problemas com isso!


:: B.V.A.S.C. 22:59 [+] ::
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:: Quinta-feira, Janeiro 20, 2005 ::
DEZ DISCOS QUE EU LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA...

Por Gleisson Jones (via msn messenger) @



bruno arrais diz:

cara, já tô com quatro listas de top 10 ilha deserta... cadê a tua?

gLEISSON jONES diz:

hahahaha! eu tentei fazer, mas num consegui... toda vez eu mudo.

bruno arrais diz:

hahahahahaha! cara, tem que sentar e fazer e mandar na mesma hora... não pode ficar pensando muito, não...

gLEISSON jONES diz:

mas, olha... aí vão alguns assim sem pensar muito...

velvet underground & nico

pet sounds

bruno arrais diz:

pet sounds até eu levava!

gLEISSON jONES diz:

raise the pleasure do eletronic

ok computer

mellon collie dos abóboras

bruno arrais diz:

porra, eletronic! muito bom! quero esse disco da próxima vez que tu vier aqui em casa! e o eels e mais james!

gLEISSON jONES diz:

pois é... fudeu! já to confuso! mas... ah!

the queen is dead

bruno arrais diz:

tem seis até agora

gLEISSON jONES diz:

sim...

bruno arrais diz:

só mais quatro, fera... vamos! você consegue!

gLEISSON jONES diz:

aaaaaaaaaaaaaaaa

bruno arrais diz:

antes de qualquer coisa vou dar um toque... mande logo um beatles aí, vááááá!

gLEISSON jONES diz:

songs of nothern britain do teenage fanclub

bruno arrais diz:

ôpa! aí tá certo!

gLEISSON jONES diz:

falta 3, né? aaaaaaaaaaa!

bruno arrais diz:

é! agora o cerco se aperta, fera!

gLEISSON jONES diz:

ui

bruno arrais diz:

vamo lá, feroz, você já tá chegando...

gLEISSON jONES diz:

doolittle dos pixies

bruno arrais diz:

ah! pensei que num ia rolar nenhum pixies...

gLEISSON jONES diz:

hehehe

bruno arrais diz:

cadê o bítous? tá deixando no suspense, né? vai ficar por último!

gLEISSON jONES diz:

num vai rolar... já tem beach boys pra eu levar... o som sessentão tá lá!

bruno arrais diz:

hehehehehe

gLEISSON jONES diz:

qualquer coisa, caetano veloso

bruno arrais diz:

rapaz, sabe o que eu acho...

gLEISSON jONES diz:

fala

bruno arrais diz:

que é melhor a gente ir todo mundo junto pra essa ilha deserta...

gLEISSON jONES diz:

hehehehe! combinado! vai ser uma ilha semi-deserta...

bruno arrais diz:

assim o lance fica mais animado e a gente tem mais opção de som, hehehehe...

gLEISSON jONES diz:

falta 1?

bruno arrais diz:

é

gLEISSON jONES diz:

the sugarplastic... bang, the earth is round

pronto, fudeu

bruno arrais diz:

hahahahaha! ó aí, gleisson jones! conseguiu!

gLEISSON jONES diz:

deixei eels, beatles, a-ha...


:: B.V.A.S.C. 01:16 [+] ::
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:: Terça-feira, Janeiro 18, 2005 ::
DEZ DISCOS QUE EU LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA...

Por Tiago Barros @

Eu acho 10 discos pouco. Já se foi o tempo em que eu ouvia o mesmo disco por uns 4 meses seguidos. Mas se fosse pra escolher apenas os 10 fundamentais e pá, acho que seriam esses aqui:

The Stooges - Funhouse = O disco mais foda de uma das bandas mais foda do mundo. Caos, barulho e putaria em doses nada homeopáticas para momentos de descontraçao na relva.

Ira! - Psicoacústica = Mermao, quem diz que nao gosta do Ira! ou só começou a gostar deles depois daquele acústico da MTV nao merece meu respeito :P Mas, frescuras a parte, eu acho esse um dos discos mais importantes do tal rock nacional, sem falar que continua bem + atual do que muita coisa que rola por aí hj em dia. Nao sei se seria justo nao levar tb o "Mudança de Comportamento" e o "Vivendo e Nao Aprendendo", outros 2 crássicos do rock brasilis dos anos 80, mas que se dane !!!

Nick Cave & The Bad Seeds - Tender Prey = Porra, por mim eu levaria toda a discografia de Mr. Cave e suas sementes más. Porém, acho que vou ficar com esse que foi o primeiro contato que tive com a obra do bardo australiano. Um disco que consegue ser ao mesmo tempo extremamente opressivo e consideravelmente lírico. E pensar que comprei-o, sem dar muito cartaz, por meros r$ 4,50.

Joy Division - Unknown Pleasures = Sem maiores explicaçoes pq já percebi que to escrevendo demais :P E tanto o Joy como esse disco deveriam ser discoteca básica de todo e qualquer cidadao comum.

Pixies - Doolittle = a mesma explicaçao anterior poder ser colocada nesse aqui tb

The Who - Live At Leeds = Esse é lasca pq, além de ser ao vivo (e o The Who ao vivo nao deixava pedra sobre pedra), serve tb como um Best Of deles, já que só a nata do repertório da galera foi colocada nesse trabalho. Ou seja, 2 coelhos numa cajadada só.

Jeff Buckley - Grace = Mermao, num tem pra ninguém: o melhor cantor, compositor, intérprete e guitarrista que surgiu apartir dos anos 90 e fim de papo.Fora que esse disco em si é praticamente a materializaçao da perfeiçao em forma de notas musicais. E tu nao tem ainda ele ? Maiii freeeevvvooo !!!

Queens Of The Stone Age - Songs For The Deaf = Na minha opiniao, o QOTSA é uma melhores bandas surgidas nesses últimos dez anos. É o Led Zeppelin dessa geraçao, sem sombra de dúvida. E apesar dos disco anteriores serem igualmente ótimos, esse aqui foi a chegada da maturidade da rapaziada. Sem falar no trabalho de bateria do Dave Ghrol nesse álbum que chega a ser absurdo.

Led Zeppelin - II = E por falar no Lediu Zepiu, oia eles aqui !!! Esse disco é especial pra mim pq foi porcausa de músicas como "Lemon Song", "Heartbreaker" e "Bring It Home" que eu resolvi aprender tocar bateria. Salve, Mestre Bonham !!!

Beatles - White Album = Meu disco preferido dos Beatles. E tenho uns amigos que me encheriam de porrada se soubessem que eu nao coloquei nenhum disco dos Beatles na minha lista :P

Po, realmente me extendi nessa porra mas ainda fico com aquela sensaçao quetá faltando algo nessa lista aí. Deixa eu ver....ah, mas é craru !!! Po, dá pra eu levar só mais o Sister do Sonic Youth nessa lista ?


:: B.V.A.S.C. 22:49 [+] ::
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DEZ DISCOS QUE EU LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA

Por D Mingus @

Bem, vejo que a expressão "ilha deserta" virou uma espécie de "selo de qualidade" pr'aquilo que eventualmente gostamos, sem quaisquer considerações a respeito do lugar em si (a ilha). O resultado de minha lista não implica necessariamente em dizer que os discos sugeridos nas listas anteriores (a maioria deles de minha predileção também) só podem ser escutados no caos da cidade grande, mas é inegável que muitos deles têm um conteúdo radicalmente urbano - de tentar enxergar beleza na feiúra do concreto. Sendo assim, além dos discos, pensei em coisas específicas pra fazer ao som deles, levando em consideração o caráter paradisíaco da coisa:

1) Bob Marley - Greatest Hits: para acordar, tomar um banho de mar e acender uma tocha...

2)Tortoise - TNT: para dar um passeio na mata densa, ficar descalço na terra úmida...

3) Porno for Pyros - Good God's Urge: para estimular um possível pan-sexualismo latente : O

4) Animal Collective - Sung Tongs: para erguer um totem numa clareira qualquer e dançar o "toré".

5) Zombies - Odissey and Oracle: para passear ao pôr-do-sol colhendo frutos e deitando na relva.

6) Clube da Esquina - Clube da Esquina: para lembrar da "cor do teus cabelos".

7) The Pops - The Pops: para fazer um "churrascão" de frente pra casa-na-árvore.

8) Shallabi Efect - The Trail of Saint Orange: para entrar na mesma frequência dos animais vizinhos.

9) Mombojó - Nada de Novo: para armar a rede entre o Recife e a tal ilha.

10) Nick Drake - Pink Moon: para acender uma fogueira e contemplar a lua.

:: B.V.A.S.C. 10:59 [+] ::
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:: Segunda-feira, Janeiro 17, 2005 ::
DEZ DISCOS QUE EU LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA...

Por Bruno Arrais @

1) Ok Computer - Radiohead: Este é simplesmente o melhor disco gravado nos anos 90. O mais moderno, o mais inspirado, o mais inspirador, o mais esquisito, o mais bonito, o mais tudo dos 90. Ele é uma obra prima. Indispensável!

2) Mellon Collie & the Infinite Sadness - The Smashing Pumpkins: Um dos discos mais tristes, furiosos e belos - se é que algum outro disco pop já ousou unir estas três características - já cometidos em todos os tempos! Mais uma obra prima! Viva Billy Corgan e seus amiguinhos!

3) The Cure - The Cure: Essa é uma das minhas bandas favoritas e este disco, o mais recente deles, é, na minha modesta opinião, o melhor deles em toda a carreira. Foi certamente o melhor disco lançado em 2004. Ô disquinho bom da porra!

4 e 5) Best Of I e II - The Smiths: Simplesmente porque nestes dois disquinhos estão contidas boa parte das maiores canções pop já escritas. É um ótimo resumo da carreira do Smiths, uma das maiores e mais influentes bandas pop de todos os tempos.

6) All That You Can´t Leave Behind - U2: Esta é seguramente a maior banda pop/rock de todos os tempos e não poderia ficar de fora desta lista, claro! Como não dá para levar a coleção completa deles, escolhi este em particular porque é para mim a obra prima dos caras e tem a melhor música deles: "Walk On".

7) Turn On the Bright Lights - Interpol: Esta foi a mais grata surpresa no mundo do rock nos últimos anos. Pense num disco que ouvi à exaustão! Durante pelo menos três meses ouvi ele diariamente. Mesmo assim continuo amando. Perfeito!

8) Much Against Everyone´s Advice - Soulwax: Um disco espetacular feito por uma dupla de DJs novaiorquinos (Too Many DJs) com uma banda de apoio. Moderno como muito poucos ousaram ser e ao mesmo tempo lindo demais. Mais um disco perfeito!

9) If You´re Feeling Sinister - Belle & Sebastian: Belo, triste e de uma sinsibilidade ímpar. Este disco é o melhor trabalho deste grupo de rapazes e moças tímidos vindos da escócia. É fato raríssimo eu passar um fim de semana sem escutar este disco.

10) Razorblade Romance - HIM: Uma pitada de metal e uma tonelada de glam, para as noites frias. Rock gótico finlandês, influenciado por grandes bandas como o Depeche Mode, Sisters of Mercy e The Fields of the Nephilim. Foderoso. Não poderia ficar de fora!


:: B.V.A.S.C. 01:30 [+] ::
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:: Sábado, Janeiro 01, 2005 ::
10 DISCOS QUE EU LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA...

Por Hugo Montarroyos @

Dez discos, sem ordem de preferência...

Kiss - Creatures of the Night - Hoje nem acho um grande disco. Mas foi o primeiro que comprei, em 1983, quando tinha apenas 9 anos !

Teenage Fanclub - Banwagonesque - O disco que me levou a ter contato com Beatles e Neil Young. Antes dele, era apenas mais um consumidor de metal/grunge/anos 80.

Teenage Fanclub - Grand Prix - Consegue ser melhor do que "Bandwagonesque". As quatro primeiras faixas são perfeitas.

Racionais Mc´s - Sobrevivendo no Inferno - Este eu levaria para que eu sempre me lembrasse que estava bem melhor numa ilha deserta do que nessa porcaria de mundo cão em que (sobre) vivemos.

Nirvana - Nevermind - Às vezes não dá para fugir do óbvio.

Radiohead - OK Computer - Vai continuar soando à frente de seu tempo pelo menos até o ano 3074.

Adoniran Barbosa - qualquer um - Porque fazia questão de cantar num português deliciosamente tosco e me faz lembrar de uma São Paulo que já não existe mais.

Tom Zé - Com Defeito de Fabricação - Porque é uma obra-prima.

Mombojó - Nadadenovo - Idem.

Sepultura - Roots - Para tentar imitar o Max Cavalera sem precisar sentir vergonha.

::
:: B.V.A.S.C. 19:44 [+] ::
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:: Quarta-feira, Dezembro 22, 2004 ::
GAUCHÊS
D Mingus

Acho complicado esse lance de comparar todas as bandas que possuem uma ênfase sessentista ao rock gaúcho. É evidente que o "povo lá de baixo" já insiste há um certo tempo em revisitar os 60's com uma ótica semelhante à da Jovem Guarda, mas daí a querer dar-lhe os créditos pra toda e qualquer composição que tenha uma letra inocentemente derramada (falando hoje seria "cínica"), órgãos cafonas e coisas do tipo, já acho demais.

Até parece que "rock gaúcho" já virou um estilo musical. Por exemplo, se tem uma banda do Acre que cresceu ouvindo Roberto Carlos, e resolve colocar algo disso em seu som, muito provavelmente vai ganhar a alcunha de "banda acreana de rock gaúcho"... Coisa semelhante ocorreu com as bandas dos demais estados do nordeste, fora Pernambuco, que, ao colocarem algo "regional" no som, foram exaustivamente comparadas (e até consideradas adeptas) com o Mangue Bit.

Logicamente existem casos dos que assumidamente bebem na fonte, como o daqueles que são conhecidos como "a mais gaúcha das bandas recifenses" - ou seja, o Volver, que têm em Frank Jorge e Júpiter Maçã algumas de suas maiores influências -, mas pra mim fica clara a ótica do sul/sudeste nesse julgamento generalizado. Até porque, penso que o rock gaúcho não é muito popular, pelo menos aqui no nordeste.

Um dos casos mais recentes é o do carioca Nervoso, que também pira a batatinha em Jovem Guarda e afins. Até agora só escutei uma de suas músicas - o hit "Já Desmanchei Minha Relação" - mas não acho de forma alguma necessário fazer uma escala em Porto Alegre pra compreender ou justificar seu conteúdo.

Escutaê e me diz o que tu acha. Achei bem escroto como o cara carrega nos "ch" ou "x"... e a música em si é bem legalzinha.

:: B.V.A.S.C. 16:48 [+] ::
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:: Domingo, Dezembro 12, 2004 ::
JOGO DOS SETE ERROS
Por D Mingus

[ EITS explodindo frequências do pop ]

"The earth is not a cold dead place" (2003) do Explosions in the Sky é certamente um dos melhores discos que freqüentou meus players esse ano.

É verdade que não tem como não comparar os caras com o Mogwai, mas também é verdade que qualquer banda faça "rock instrumental com guitarras" e que invista em músicas longas e climáticas sem o "virtuosismo progressista" (alguém falou em post rock ?) tende a sofrer da mesma sina.

Apesar das semelhanças inegáveis, as duas bandas têm personalidades distintas. Ao meu ver a grande diferença está nas linhas percussivas (a do EITS é muito mais marcial e lapadeira - o bumbo atinge graves que parecem verdadeiras trovoadas), além do fato do Mogwai ter mergulhado recentemente nos teclados, sintetizadores, moogs e etecetera, enquanto o Explosions permanece fiel às guitarras elétricas.

A julgar por esse "The earth...", eles parecem mais "extremos" quando o assunto é fazer barulho que ultrapasse os limites de freqüência captados pelos produtores de música pop. Aliás, diante deste fato, pergunto: "eles são pop ?" Se bem que, pra essa questão, já há uma frase-feita que responde com outra pergunta: "se o Velvet Underground com suas sônicas experimentações hoje é pop, quem não o é ?".

Escute a faixa "the only moment we were alone", que disponibilizamos aqui por uma semana (o limite de tempo é o YouSendIt que impõe, não eu...), e tire suas próprias conclusões.

:: B.V.A.S.C. 16:48 [+] ::
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:: Quinta-feira, Outubro 14, 2004 ::
Qual o primeiro livro que vocês leram por livre e espontânea vontade?
Por Hugo Montarroyos @

1990. Tinha 15 anos e acabara de assistir a uma entrevista no "Jô Soares Onze e Meia" (nessa época ainda era bom) com um senhor simpático, escritor e baterista de uma banda de jazz, dono de uma inteligência sofisticada e ao mesmo tempo nada pedante. Gostei tanto do sujeito que, após a entrevista, corri até a biblioteca da minha mãe para ver se tinha algum livro dele dando sopa. Dei sorte. O primeiro livro que li na vida sem nenhuma pressão externa, sem a recomendação de nenhum professor e sem a tirania de qualquer adulto foi "O Encontro Marcado", de Fernando Sabino, o cara que estava sendo entrevistado.

Pode parecer oportunista da minha parte escrever sobre Sabino logo após sua morte. Mas a verdade é que devo minha paixão literária a ele. "O Encontro Marcado" teve um efeito alucinante em minha cabeça adolescente. Fiquei tão triste quando terminei de ler que o reli logo em seguida. Explicando melhor: não é um livro triste, mas tão bom que você fica chateado ao chegar ao final. Poderia ter mais páginas. É como aquele filme que você não quer que acabe nunca...

A história é simples, autobiográfica. Mas contada com tamanha força e paixão que não há como não se identificar com Eduardo Marciano (alter-ego de Fernando Sabino), personagem principal do livro, moleque travesso convertido em escritor precoce e que se vê, de uma hora pra outra, no círculo do poder. Porém, apesar da simplicidade da história (nada mais é do que a perda da inocência de uma geração), percebe-se ali um cuidado narrativo fantástico, uma capacidade de criar imagens que marcam de forma cavalar.

Não é exagero, a morte de Fernando Sabino me deixou mal. Perdi um cara de quem eu julgava ser íntimo. Enfim, perdi o sujeito que me ensinou a gostar de ler.

:: B.V.A.S.C. 09:04 [+] ::
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